5 filmes sobre ansiedade e luto!

No mês da saúde mental: confira a lista com 5 filmes + resenha crítica.
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Janeiro é o mês da saúde mental, também chamado de Janeiro Branco. Pensando nisso, trago até você uma lista com 5 filmes sobre ansiedade e luto, para que eles possam contribuir em sua jornada e trazer novas formas de olhar sua saúde mental.

Se você se interessa sobre esse tema, pode assistir estas indicações e conferir minhas resenhas. 🙂

Vamos lá?

Antes de começar, quero lembrar que se você está em busca de mais saúde mental e emocional em sua vida, conheça o Guia da Alma: a Plataforma de Terapias Holísticas!

Sou Maria Eduarda Pepe, content manager Guia da Alma. Boa leitura!


1. Aftersun (2022)

A nova estreia do mês está dando o que falar!

Assisti assim que lançou na plataforma Mubi, sem saber do que se tratava a história do filme. A sensação que me permeou por grande parte do filme foi a de tensão. Como se algo de ruim fosse acontecer aos personagens; no caso, à personagem da filha, interpretada por Frankie Corio, que, por ser uma criança, nos passa uma sensação constante de fragilidade.

Nos colocamos no lugar da figura paterna, Calum, com atuação estupenda de Paul Mescal. É fácil se colocar no lugar de ambos os personagens, seja no lugar de quem cuida como de quem é cuidada.

Ao mesmo tempo, é interessante ver a forma como Charlotte Wells explora uma direção que explica a história principal através dos sentidos. A memória que é ativada quando tudo vira lembrança fica gravada neles. Seja através de uma música, um álbum de fotografias ou gravações de uma câmera portátil.

Ao vivenciar a lembrança de Sophie, entendemos que a fragilidade, contudo, parte de Calum, que manifesta em doses sutis e singelas a sua batalha contra a depressão.

Uma fala de Sophie me marcou bastante:

“Você nunca se sentiu como se tivesse tido um dia todo incrível e então você volta para casa e se sente cansado e… e parece que seus órgãos não funcionam, eles estão muito cansados, e tudo está cansativo. Como se você estivesse afundando. Não sei, é estranho.”

Vale a pena assistir o primeiro longa-metragem da diretora Charlotte Wells, com atuações deslumbrantes e uma nostalgia especial para toda uma geração de mulheres millennials.

2. Demolição (2016)

Demolição é um filme de 2016, dirigido por Jean-Marc Vallée.

A história gira em torno do protagonista Davis Mitchell que, após a morte da esposa, entra em um processo caótico de autoconhecimento.

O foco do filme em si não é a ansiedade ou depressão causada pelo luto, mas sim mostrar como uma grande mudança catastrófica pode fazer alguém reavaliar inteiramente a sua própria vida e questionar o que tinha-se como garantido.

Em seu processo de luto, Davis começa a refletir sobre a sua existência e, a partir do exercício da escrita, por meio de cartas que envia (sem a intenção de obter resposta) para o Serviço de Atendimento ao Cliente de uma máquina automática de snacks, questiona toda a sua trajetória até então, em longos textos sobre a morte da sua esposa e, também, acerca de sua vida profissional e pessoal.

Inesperadamente, a atendente do SAC, um dia, interpretada pela atriz Naomi Watts, liga para Davis. A partir daí, a vida dos dois entrelaça-se e muda drasticamente, causando perdas e ganhos.

É um filme leve, apesar da temática, com pitadas de humor e atuação estupenda com a dobradinha Jake Gyllenhaal e Naomi Watts.

Com ironia e humor, Jean-Marc Vallée traz críticas pertinentes ao capitalismo, nossa função no mundo, e as sequelas que os moldes que, hoje em dia, definem sucesso e a ansiedade que isso traz. Vale a pena!

3. Mouthpiece (2018)

Conheci esse filme num debut que a Mubi promoveu sobre a diretora Patricia Rozema.

Após assistir o seu primeiro filme, Ouvi as Sereias Cantando, de 1987, que trata da vida de uma aspirante a artista que apaixona-se por sua chefe, assisti Mouthpiece, um de seus mais recentes filmes, lançado em 2018, e fiquei completamente encantada.

O mais interessante é como a diretora optou por contar a história: pela primeira vez no cinema vi uma personagem se desdobrar em duas atrizes, simultaneamente. Não é uma atuação com duas atrizes em diferentes fases. As duas atuam ao mesmo tempo, juntas, interpretando a mesma personagem.

Particularmente, achei isso genial.

O filme inicia-se com a notícia da morte da mãe da personagem que, extremamente tradicional e conservadora, a faz questionar suas escolhas, em meio à suas percepções feministas de mundo.

Tratando temas sensíveis, como a morte repentina da figura materna, a diretora exprime visivelmente a fragmentação da personagem em duas atrizes distintas, o que denota a ruptura iminente causada pelo luto e pelos questionamentos dessa fase da vida.

4. Aloners (2021)

Aloners, filme da diretora sul-coreana Hong Sung-Eun, fala sobre solidão.

Jin Ah, protagonista interpretada por Gong Seung-Yeon, vive em um estado constante de luto, representado por sua apatia e isolamento.

Atendente de call marketing, Jin Ah parece odiar o seu trabalho e não nutre relação com amigos, evitando até o próprio pai. A relação de ambos não é bem explorada; contudo, nota-se que há uma fratura ocorrida na relação entre ambos após a morte da mãe.

Um dia, após ela retornar do trabalho para casa, o corpo de seu vizinho é encontrado morto. Seu corpo é encontrado uma semana após sua morte.

A partir de então, como num choque, a personagem da história reconecta-se com seu processo de luto, saindo de seu estado catártico e entrando em comunhão com sua verdadeira essência.

A necessidade de impor a solidão começa a ser questionada e a dor, há tanto guardada, começa a fazer sentido e derramar em processo de cura.

Numa pegada leve e singela, Aloners explora a dor do luto, e os sintomas de ansiedade e depressão decorrentes do processo elucidativo de autoconhecimento.

5. A liberdade é azul (1993)

Dirigido por Krzysztof Kieslowski, A liberdade é azul traz Juliette Binoche brilhando enquanto sua musa.

Como protagonista, Binoche entrega uma atuação delicada e sutil ao demonstrar a dor do luto.

O filme inicia-se com o acidente de carro que acarretará na morte da filha e do marido da protagonista Julie Vignon. Passando por todas as fases, desde a ansiedade pós perda, com tendências suicidas, até à aceitação, Kielowski mostra o retorno de Julie à vida após a morte de sua família.

A partir daí, Julie começa a reviver as lembranças de seu passado através da obra inacabada de seu marido, músico reconhecido internacionalmente, e descobre, no passado dele, uma vida que ela nunca teve acesso.

A liberdade é azul é o primeiro filme da dita Trilogia das cores, seguido por A liberdade é branca e A fraternidade é vermelha, cores da bandeira da França.

Aproveito para indicar a trilogia toda! Mas, certamente, A liberdade é azul é o melhor dos três filmes.


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