“Quando a felicidade egoísta é o único objetivo da vida, a vida logo fica sem objetivo”.

Romain Rolland

 

O nosso desejo de ser feliz é tão legítimo quanto o de qualquer outra pessoa. E, para amar os outros, devemos aprender a amar a nós mesmos. Amar a si mesmo é amar a vida.

O objetivo da vida é obter um estado profundo de bem-estar, sabedoria e plenitude em todos os momentos, acompanhado do amor por cada ser.

Tememos a miséria, mas corremos diretamente em direção a ela. Queremos a felicidade, mas nos afastamos dela. Os próprios meios que usamos para diminuir o sofrimento acabam por alimentá-lo. Isso ocorre porque somos confusos sobre a maneira de agir quanto a tudo isso. Buscamos a felicidade fora de nós mesmos quando ela é basicamente um estado de ser. Os nossos desejos são ilimitados e o controle que temos sobre o mundo é limitado, temporário e, geralmente, ilusório.

Que hesitação estranha, medo ou inércia nos impedem de olhar para dentro de nós mesmos, de tentar compreender a verdadeira essência da alegria e da tristeza, do desejo e do ódio? O medo do desconhecido prevalece. É preciso muita ousadia para olhar para dentro de si mesmo.

Se você aposta que conseguirá a verdadeira felicidade e realização por meio do encontro do companheiro perfeito, do carro do ano, de uma casa enorme, do melhor emprego e de uma excelente reputação, se estas são as suas prioridades, será necessário também desejar, com as tuas forças, ter sorte na loteria da vida. Ao colocarmos todas as nossas esperanças no mundo externo, é inevitável ficarmos desapontados.

A felicidade é um estado que depende de condições internas, cabe a cada um de nós aprendermos a reconhecer essas condições com atenção, e depois, alcançá-las. A felicidade não nos é dada, nem a miséria imposta. Estamos a cada momento, em uma encruzilhada, e devemos escolher a direção que queremos tomar.

Pode até ser que, expressar-se naturalmente ou dar liberdade aos próprios impulsos naturais, traga alívio momentâneo para as tensões interiores, mas continuaremos presos à armadilha do círculo vicioso de nossos hábitos. Não é preciso ser feiticeiro para rogar uma praga sobre si mesmo, basta dizer : “Sou assim e não posso fazer nada”.

Estamos tão acostumados com nossa maneira de ser, que mal podemos imaginar como seria a vida se agíssemos diferente.

 

A felicidade é um estado de ser

A felicidade autêntica não está ligada a uma ação, a uma atividade, mas é um estado de ser, um profundo equilíbrio emocional decorrente de uma sutil compreensão do funcionamento da mente. Quem está em paz consigo mesmo contribui espontaneamente para estabelecer a paz em sua família, em sua vizinhança e, se as circunstâncias permitirem, na sociedade como um todo.

A “síndrome do mundo cruel” nos faz questionar a própria possibilidade de pôr em prática a felicidade, fazendo a batalha parecer perdida antes de começarmos. A crença de que a natureza humana é essencialmente corrupta, envenena com o pessimismo a nossa visão da existência, nos fazendo duvidar do próprio fundamento da busca da felicidade. Uma vez que encontremos um pouco mais de paz interior, é muito mais fácil assistir ao desabrochar da vida e nos libertarmos de inseguranças e medos interiores. Tendo menos a recear, tornamo-nos mais abertos aos outros e mais preparados para enfrentar os altos e baixos da vida.

A nossa liberdade interior não tem outros limites senão aqueles que nós lhe impomos ou os que aceitamos que nos sejam impostos. E essa liberdade nos traz também um grande poder. Ela pode transformar o indivíduo, permitir que ele alimente as suas capacidades e viva cada momento em completa plenitude. Quando os indivíduos se transformam, fazendo com que a sua consciência chegue a maturidade, o mundo também se transforma, porque este mundo é feito de indivíduos.

 

Como transmutar o sofrimento?

Distinguem-se três tipos de sofrer: visível, oculto e invisível.

O sofrimento visível é evidente por toda parte. O oculto dissimula-se sob a aparência de prazer, de estar livre de preocupações, na diversão. O invisível se origina da própria cegueira da nossa mente e aí permanece enquanto formos dominados pela ignorância e pelo egoísmo. A nossa confusão, ligada a falta de clareza e sabedoria, nos deixa cegos para aquilo que é oportuno realizar ou evitar, a fim de que nossos pensamentos, palavras e ações gerem felicidade e não sofrimento. Não somos capazes de identificar o apego ao ego como a causa desse sofrimento, é por isso que o chamamos de sofrimento invisível. O egoísmo ou, mais precisamente, o sentimento doentio de que somos o centro do mundo.

O sofrimento pode nos abrir o espírito e o coração para um aprendizado extraordinário, a ponto de fazer-nos tomar consciência do caráter superficial da maior parte das nossas preocupações habituais, da passagem irreversível do tempo, da nossa própria fragilidade e, acima de tudo, daquilo que conta, real e profundamente, dentro de nós.

Desenvolver a compaixão e a bondade amorosa, desejando e agindo para que todos os seres sejam libertados dos seus sofrimentos e das causas desses sofrimentos, resulta um sentimento de amor, de responsabilidade e de respeito por nós mesmos, gerando emoções positivas e aumentando a nossa capacidade de oferecer alívio ao sofrimento dos outros ao mesmo tempo que reduz a importância dos nosso problemas.

Na maioria das vezes não são os eventos externos, mas a nossa própria mente e as emoções negativas que nos tornam incapazes de manter a estabilidade interior, arrastando-nos para baixo.

As emoções conflitantes nos causam nós no peito difíceis de desatar. Em vão tentamos lutar contra elas. Assim que escapamos do jugo de uma, eis que surge outra com vigor renovado. Essa aflição emocional não dá qualquer alívio, e toda a tentativa de dar cabo dela parece fracassar. Em conflitos como esses, o nosso mundo se despedaça em contradições que geram adversidade, opressão e angústia. Aprender a baixar o tom do incessante ruído dos pensamentos perturbadores é um estágio decisivo no caminho para a paz interior.

 

Estar feliz também depende da maneira de ver o mundo

O otimista é uma pessoa que considera as suas dificuldades como momentâneas, controláveis e ligadas a uma situação específica. O pessimista, ao contrário, pensa que os seus problemas vão durar, comprometendo tudo o que ele empreende e que escapa ao seu controle. O sentimento de insegurança e medo que aflige tantas pessoas hoje em dia está intimamente ligado ao pessimismo. O pessimista antecipa o desastre e torna-se uma vítima crônica da ansiedade e da dúvida. Mal humorado, irritável e nervoso, não tem confiança nem no mundo, nem em si mesmo, e sempre espera ser intimidado, abandonado e ignorado.

Para um otimista, não faz sentido perder a esperança. Sempre se pode fazer alguma coisa, limitar os estragos, descobrir uma solução alternativa. Ele usa cada momento presente para avançar, apreciar, agir e desfrutar o bem-estar interior, ao invés de perder tempo ruminando o passado e temendo o futuro.

A felicidade não chega automaticamente em nossa vida, não é uma graça que a boa sorte pode derramar sobre nós e uma virada do destino nos proporcionar. Ela depende unicamente de nós. Não nos tornamos felizes do dia para a noite, mas graças a um trabalho paciente, realizado dia após dia. A FELICIDADE se constrói, o que exige tempo e esforço. Para nos tornarmos felizes, temos que saber mudar a nós mesmos e parar de responsabilizar os outros pelo nosso bem-estar.

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Cenira de Fátima Vieira

Consultora organizacional, pesquisadora do comportamento humano, reikiana.

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Atuando como empresária, sempre insatisfeita com a grande rotatividade de pessoas, iniciei a busca de conhecimento na área de comportamento humano. Hoje a dedicação é no desenvolvimento comportamental das pessoas através de coaching na área profissional, pessoal, espiritual e relacionamentos.

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