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Autoconhecimento

Sensação, Consciência, Autoconsciência

Como atingir a autoconsciência?

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Há uma interessante relação direta entre todas as palavras que nos remetem à espiritualidade e vida espiritual e a sensação de sentirmos em nós mesmos as experiências espirituais evocadas pelas palavras.

Peguem o exemplo seguinte: Ser místico, reconhecer a Mãe Terra, sentir a Terra Deusa, vivenciar os karmas, os dharmas, os chakras. São exemplos de como as palavras fomentam o que de espiritual há dentro de nós.

Em boas doses de energia positiva, as palavras espirituais buscam, ou melhor, traduzem em nós certa paz ao descobrir parte de nossa autoconsciência entre a razão de viver e a fé para viver – claro que em harmonia com nossa crença pessoal.

Fé é crença, e refiro-me a todas as crenças que pregam o amor. Refiro-me também a uma espiritualidade holística, que é um todo. Vivemos. Sabemos que vivemos. Temos consciência da vida. Buscamos a consciência das inúmeras partes que compõem as nossas diferentes realidades, das mais simples do dia a dia. E cito a experiência de que a bola rola e o vento assopra! São as nossas certezas sensoriais.

Pelos sentidos, vivemos. Com os sentidos criamos e damos existência de nossa percepção a tudo o que nos pertence. Inclusive à nossa vida espiritual.

 

Onde está nossa alma?

Escrevo para o Guia da Alma e me atrevo a citar a palavra alma quase aleatoriamente.

A filosofia nos ensina que espírito é o que cria sentido em nós. Quem observa as ondas do mar é nosso espírito, da mesma forma, quem dá existência a uma arte, uma pintura, é nosso espírito. A alma é a parte da vida que nos faz ter vida.

Não é difícil compreender se eu disser que uma pedra não tem alma, ainda que ela tenha energia, mas uma célula tem alma, porque tem vida, mas não tem espírito. Ao menos não naquilo que nós humanos imaginamos.

Na filosofia do pensamento ocidental, uma vida espiritual é uma vida buscando sentido para os fenômenos externos a nós. Quando permitimos nossa atenção às palavras de um filósofo, falando sobre Deus, cremos que ele seja um teísta, transbordando a mais pura fé. Mas é somente um filósofo mortal, limitado, em dúvidas, talvez ateu, e provável agnóstico, que usa as palavras de modo tão inteligente, eloquente e cativante, que traduzem algo de nossas inquietações espirituais.

O Guia da Alma me abre espaço para lembrar o mundo espiritual e convido a filosofia. A consciência capta o mundo para que a autoconsciência alcance a liberdade de ser ela mesma nessa vida cheio de verdade particulares e individuais.

 

A autoconsciência

Quais as virtudes da autoconsciência? Ter equilíbrio na raiva, não deixar o ódio fazer morada em nossa vida, entender que a vingança é para os covardes, saber que amar é sacrificar-se, não esperar do outro algo que ele não pode nos dar (porque não tem), elevar e viver a gratidão como a mãe de todas as sabedorias humanas e divinas (sem a qual a vida se torna cada vez mais amarga).

A autoconsciência é um dos processos conhecidos. Ela passa do sentir pelos sentidos para o mundo espiritual interno que nos cerca a alma vivente, criando nossa consciência, que faz de nós indivíduos livres para atingirmos o zênite da autoconsciência e aprender que sofrimento e felicidade são irmãs gêmeas do entendimento. As duas formas nos pertencem por igual. Aliás, todos os sentimentos pertencem ao quem os sente. A autoconsciência de nós mesmos e do mundo aplacam os vícios humanos que empobrecem cada um de nós.

Passam pela minha cabeça dezenas de livros para deixar o texto culto, com autoridade, com respeito intelectual. Gostaria, mas não citarei um sequer ao leitor. Não agora. Podem mandar um email para a revista que indico livros bacanas sobre esses assuntos. Porém, há tempo para tudo, nos diz o Velho Testamento – que não é bem um livro –, e o tempo deve ser nosso aliado. Livros são um estágio mais avançado de nossa consciência em busca de autoconsciência, ou autoconhecimento. Experiência própria.

Incrivelmente, a autoconsciência de coisas banais, como o copo que usamos para a água, permeia a relação que temos com o objeto, e demora um bocado de anos. A forma, o peso, a praticidade, o material são experiências humanas de entendimento. Não há dúvida de que tudo começou para nós ao observar e experimentar a natureza, nosso grande modelo.

Quem nunca fez de uma folha grande do mato uma caneca para a água do riacho? Assim vale para a pedra, como cadeira que sentamos. Assim para a areia do mar, como lousa onde escrevemos. Assim sol, como a realidade da luz do fogo que nos aquece.

Gerações e gerações antes de nós comungaram com a natureza. Foi sempre um relacionamento em harmonia. Muitos desejam retornar à natureza nos dias desse 2017. Quantos executivos e executivas, diretores e diretoras não sentem liberdade emocional ao pisar no mato com pés descalços?

Queremos sentir o corpo em harmonia com nosso espírito. Nosso corpo e consciência, infelizmente, viraram números quantitativos. Salários, garrafas de cervejas, pares de sapatos, valores dos alugueis, prestações, combustível, tempo diário para nosso deslocamento.

A matemática, por sua vez, é a perfeição de Deus, refletida na música. Amo os números. O problema é que o desejo de aumentar nossos números pessoais – inclusive nos pares sexuais que se leva para a cama, ou nos brincos e colares e carros caríssimos – desviou a construção de nossa autoconsciência nesse mundo onde vivemos e queremos viver em harmonia. Um paradoxo!

Ao invés de termos mais consciência do mundo espiritual que nos cerca, a realidade das coisas consumíveis e imediatas enlaçou nosso olhar. O ser humano tornou-se muito mais objeto para o consumo dos objetos, ou seja, escravo do consumo. Somos, ao contrário, seres espirituais! Por isso simplesmente repetir diariamente as mesmas sensações, as mesmas emoções, as mesmas ideias, provoca angústias.

Não existe autoconsciência quando as verdades não contemplam o espiritual. Este enriquece nosso entendimento, auto-entendimento, autoconhecimento. Atingir a consciência é sentir a vida, que vai além do que consumir objetos numericamente.

A autoconsciência nos ensinará que o equilíbrio entre sentir a vida e consumir os objetos é quase que a felicidade, ainda que sofrimento e felicidade se complementem. Oras, atingir autoconsciência pode ser muito dolorido. É isso o que eu busco e isso que sinto também.

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Flavio Notaroberto

Professor, escritor e palestrante. Autor dos livros Contos Suaves e Não é Conto nem Fábula. Em 2017 publicará deu primeiro romance chamado Miguelito: Memórias. Idealizador do Espaço Cambury.

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Professor, escritor e palestrante. Autor dos livros Contos Suaves e Não é Conto nem Fábula. Em 2017 publicará deu primeiro romance chamado Miguelito: Memórias. Idealizador do Espaço Cambury.

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