No último artigo para o Guia da Alma, a reflexão foi um tripé: sensação, consciência e autoconsciência.

Quem é leitor do filósofo alemão Kant, percebeu de onde foi tirada parte daquele tripé. Mas não só do Kant. Há um russo muito famoso entre os estudantes de Letras, conhecido como Bakhtin, e que estava contido naquele artigo. Digo agora que dois autores moderníssimos me acompanharam. Ramachandran, neurocientista e o psicólogo Andrew Solomon. Não citarei as obras deles agora. Muitas vezes os autores forçam-nos a pesquisar o que eles têm produzido. Em meu caso, cada vez mais, rendo-me à perspicácia do neurocientista, que me inspirou algumas palavras nesse bate-papo para os leitores.

Na praia, o sol quente na cara e um vento gelado nas costas, eu lia desprendido do mundo e dos homens. Além de inspirar-me muito ao olhar para o mundo dos homens e para o mundo da natureza, ler em si,  inspira-me muitas ideias para escrever, mais do que outras atividades. São insights que surgem, cumprimentam a mente e geralmente desaparecem.

Dessa vez, eu relia um capítulo de neurociência a respeito do nosso self e de nosso livre arbítrio. Self é nossa identidade como indivíduo. Livre arbítrio é o que nos faz humanos, porque ele se funde com nosso próprio self. Nem sempre foi assim na humanidade, porque nos dias de hoje, boa parte das pessoas gozam desse direito de ser e opinar sobre aquilo que acham justo.

 

Autoconsciência e consciência

Dentre algumas coisas bacanas nessa minha viagem pessoal, algo que compartilho agora é a dúvida: o que surgiu primeiro foi nossa autoconsciência ou a nossa consciência da existência do outro? Autoconsciência é sabermos de nós mesmos. Consciência é saber do outro sobre nós. O espelho nos dá consciência de nós, porque é um outro. A reflexão solitária nos dá autoconsciência, e esta aqui o mérito que cada a nós, humanos.

A questão que proponho naquela inspiração é se reparamos que existimos antes ou depois de reparar que a nossa mamãe existe. Parece simples a resposta. Digo, podemos dizer que primeiro abrimos nosso olhar interno humano, gerando autoconsciência, o olhar de nossa mente interna, descobrindo nosso eu interior, para depois começarmos a perceber o outro fora de nós. Um adulto entende assim.

Para ser honesto, o livro não propõe uma resposta.

Particularmente, eu acho que primeiro percebemos o mundo e as pessoas fora de nós, tendo consciência delas, para aos poucos, com o passar do tempo e experiências, olharmos para nós mesmos, num movimento de introspecção, tornando-nos mais melancólicos.

 

Melancolia

O que é a melancolia se não olhar exclusivamente para nós mesmos e dentro de nossa mente e permanecer lá por algum tempo? Concordam? Isolar-se no quarto, caminhar só, ir à praia ou ao parque sozinho ou sozinha, são sinais de melancolia. Viajar sozinho ou sozinha também.

Lembro-me que no fim de 2014 fiz minha viagem sozinho. 40 anos e nada ainda de ter experienciado algo prosaicamente comum. Algo como saborear chocolate pela primeira vez aos 40 foi-me essa viagem.

Fui para Chapada dos Veadeiros. Antes passei em Juiz de Fora e lá, por acaso, encontrei uma conhecida e conheci a família dela. À noite peguei o ônibus sentido Brasília. Passei o dia na Capital Federal. No cair da noite, embarquei no ônibus para Alto Paraíso. Os dois primeiros dias passei sozinho. Cachoeira, comida, hostel. Depois fui conhecendo gente. Foi bacana! Porém, aquela minha introspecção tomou lugar, quero dizer, foi substituída pelos outros em minha vida.

Gosto de gente ao meu lado, até um momento. Acho que minha natureza tem algo de síndrome de olhar muito para dentro de mim e menos para fora. Conhecer gente devastou minha viagem pessoal. Não é isolar-se, nem é o spleen romântico, traduzido em tédio. Viajei bem até quando tive de esquecer-me e viver em companhia com outros.

Vejo essa minha ida à praia, à tarde, como aquela solidão introspectiva naquela viagem. Livro na mão, sol na cara, água com gás, amendoim doce, charuto. Li, fumei, senti o calor, bebi a água e comi o amendoim. Nessas introspecções, a leitura revelou-me que nosso cérebro não gosta de desacordo interno.

Vou pedir depois, autorização para a minha filha para escrever algo que diz respeito a eu ser pai dela e à neurociência para o Guia da Alma.. Eu escrevo para este Portal e me experiencia a falar sobre esses insights, tendo algo rumo à autoconsciência. Escrevo reflexões diárias também.

Resumindo, creio que primeiro temos consciência dos outros sobre nossas vidas para depois termos autoconsciência de nós mesmos. Autoconsciência gera melancolia e sua prima direta, a solidão. A consciência das pessoas sobre mim na praia poderia sugerir algo “homem solitário”. Minha autoconsciência concorda com as pessoas e afirma que “não há nada a fazer; porque é o preço que se paga à introspecção e à melancolia”. Aliás, como estar na praia me faz bem. Bem, moro na praia, né?

 

Leia também: Ferramentas de Evolução da Consciência


 

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Flavio Notaroberto

Escritor dos livros Contos Suaves e Não é Conto nem Fábula, Lenda ou Mito.

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