A Arteterapia surgiu a partir do entrelaçamento entre a arte e a terapia, que remete ao século XIX, quando o auxílio da arte no tratamento da saúde mental foi explorado por alguns psiquiatras. A Arteterapia tem seus primeiros movimentos na análise simbólica com Sigmund Freud e Carl Gustav Jung.

Freud, na psicanálise, analisou que o inconsciente se manifestava nas produções artísticas, através de símbolos criativos em uma sublimação dos instintos sexuais, usando a arte como materialização dos elementos simbólicos que emergem do inconsciente.

E Jung, entendia que a arte auxiliava no processo de cura, também com a materialização dos elementos simbólicos que emergem do inconsciente, mas que a criatividade possui uma função psíquica natural. Jung foi o primeiro que usou a expressão artística de seus clientes como ferramenta de análise e de auxílio no trabalho terapêutico.

No Brasil, o uso da arte no atendimento terapêutico em hospitais teve dois grandes expoentes: Osório César, em São Paulo, seguiu uma visão psicanalítica freudiana, e que trocou experiência com Freud; e Nise da Silveira, no Rio de Janeiro, que tinha uma análise simbólica junguiana, e que trocou correspondências de suas análises com Jung.

Ambos fundamentaram o surgimento da Arteterapia no Brasil, por meio de seus trabalhos com arte no processo terapêutico, e assim tornaram-se bases teóricas e práticas, como foram Freud e Jung. Atualmente, a Arteterapia é organizada por associações que participam da União de Arteterapia no Brasil (UBAAT), a qual busca regulamentar a formação em Arteterapia no país.

 

Mas em quê esta terapia se diferencia das outras?

Como ela pode ajudar no processo de autoconhecimento, de evolução da consciência?

A Arteterapia busca trabalhar com o tornar consciente os conteúdos do inconsciente, para se entender por que, em determinadas circunstâncias, se age com determinados comportamentos, que tendem a se repetir. Mas, como nem tudo se consegue verbalizar, por não estar claro o que se quer e o que se sente, por meio da Arteterapia buscam-se outras formas de expressão que auxiliam a tornar conscientes tais sentimentos, sensações e intuições. E assim, permitem entender determinadas reações sobre as experiências sentidas e vividas em todas as idades.

Entende-se a Arteterapia como um processo de cura individual e coletivo, que permite ao sujeito a olhar para si e para o outro, aceitando os medos, os receios, as raivas, e os “monstros internos”. Para então, observar e unir estes sentimentos e sensações desconhecidas – as sombras que estão no inconsciente – com as experiências que são conhecidas e conscientes.  

Como disse Jung: “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”.

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Foto da Jornada arteterapêutica “Para viver o tempo”. Organizado pela Incorporar-te: Espaço Terapêutico Corpo Artes (Florianópolis – SC). Foto: Carolina Scheirari

Por meio deste processo de individualização de cada sujeito, é possível a mudança, na qual cada um se reconhece enquanto sujeito humano, olhando para suas personas e sombras, derrubando suas máscaras para encarar a sociedade e aquilo desconhece de si mesmo.

Alguns dos recursos utilizados na Arteterapia são as artes visuais, a música, a expressão corporal e a literatura. Estes recursos são utilizados para auxiliar o sujeito/cliente a entrar em contato consigo mesmo, por meio do universo simbólico e imaginário, como ferramentas do processo criativo do inconsciente.

 

Mas que técnicas são estas, que usam das artes visuais, da música, da literatura e da expressão corporal?

As técnicas expressivas utilizadas das artes visuais são as produções de desenhos, pinturas com diferentes matérias, desde tinta guache a giz pastel, carvão, materiais orgânicos, construções com argila, entre outras técnicas que podem simbolizar e materializar os elementos do inconsciente.

Na música, utilizam-se os sons que promovem a memória, ou estímulos sensoriais dos corpos para diferentes movimentos, e que conduzem, por exemplo, à vitalização ou à introspecção do sujeito/cliente. Com a literatura, se conduz o indivíduo ao imaginário ou ao simbólico por meio de histórias, fábulas e contos relacionados a momentos vividos por ele. Já na expressão corporal, por meio da respiração, busca-se trazer o que é vivido, sentir um toque que busca o aqui e o agora, como o palming.

O arteterapeuta pode agir como um facilitador deste processo, auxiliando o sujeito/cliente a olhar para suas próprias produções e potencializando diferentes formas de expressões do mesmo. Assim, o profissional pode trabalhar com diferentes recursos artísticos, mas ele não vai realizar uma análise estética da produção expressiva de seu cliente, e sim, vai analisar e conduzir o cliente a identificar o que a sua produção pode significar para ele, a partir de diferentes bases teóricas, podendo ser junguiana, gestáltica, reichiana, psicanalítica, psicoorgânica, entre outras. O arteterapeuta apresenta-se como um facilitador do processo de reconhecimento dos símbolos que emergem do inconsciente, por meio das diferentes técnicas expressivas artísticas.

A Arteterapia é um lugar de troca, de cura, de humanização.

Como disse Jung:

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

 

Quer saber mais como funciona uma sessão de arteterapia?

Continue esta conversa comigo!

 


 

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Marina Luz Paim

Arteterapêuta, Mestre em Educação, Professora de Filosofia.

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Terapeuta formanda em arteterapia, mestre em educação, professora de filosofia. Amante das artes, da música e das praias. Acredito que a troca de afeto entre as pessoas pode curá-las.

 

 

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