A missão: para que estamos aqui?

Saiba como identificar sua Missão de Vida
Missão de Vida

Quando falamos em Missão de Vida temos que ter muito cuidado, pois na nossa cultura, muitas vezes ela vira uma obrigação, que poda a pessoa, colocada por uma alta instância externa e plenipotenciária: “Sua missão é ajudar ao próximo”, “Aguentar seu marido”, “Cuidar de sua mãe”. Em muitos casos a missão é uma iguaria muito calórica para o ego: “Minha missão é salvar o mundo”, “Servir a meu país”, etc. Às vezes funciona como uma compensação para uma vida de frustrações: “Eu não gosto de meu emprego, mas ele me permite desempenhar minha missão nos finais de semana”, ou desculpa para não fazer o que no fundo queremos: “Bem que eu gostaria de …, mas minha missão é …” .

Eu acho que todas as pessoas têm a mesma missão. Estamos aqui para nos tornarmos plenamente o que somos. E isso é válido não só para os humanos, mas para qualquer ser vivo. A missão da semente é tornar-se uma planta que espalhe sementes em tudo quanto é buraco. A missão do bebê que acaba de nascer é tornar-se um adulto completo, isto é, realizado, frutífero, saudável e feliz. Por trás desse processo estão as forças da vida, que, trabalhando para dar continuidade à vida e às espécies desde nosso inconsciente, atraem sistematicamente o que precisamos para crescer, independentemente de gostarmos ou não dessas situações, independentemente de se essas situações que atraímos correspondem-se com nossas caprichosas e limitadas expectativas mentais. Se alguém para crescer precisa aprender a falar “não” e mandar pastar, vai atrair propostas cada vez mais inaceitáveis.

A questão é como chegamos a ser plenamente o que somos. Simples: Desenvolvendo nossos talentos e potencialidades. Ok, como sempre é mais simples falar que fazer! E como sabemos quais são nossos talentos e potencialidades? Quando éramos crianças, ainda não programadas, expressávamos naturalmente nossos talentos e potencialidades que desde o inconsciente queriam manifestar-se através da ação. Quando a expressão desses talentos e potencialidades trazia uma resposta familiar desagradável para a criança, ela escondia esse talento e/ou potencialidade. Também aquela famosa pergunta “O que eu vou ser (1ª sinal de identificação do indivíduo com sua profissão) quando crescer?”, transforma-se em: Como eu vou ganhar dinheiro quando crescer? Assim, os talentos e potencialidades ficam engavetados na sombra do inconsciente, mas não é por isso que eles deixam de tentar manifestar-se. Então uma boa pergunta seria: “O que eu faria com a minha vida se tivesse garantidas minhas necessidades econômicas?”.

Sabemos que temos talentos e potencialidades para uma atividade quando essa atividade nos dá prazer. Um prazer que nada tem a ver com os resultados da ação. Um prazer que tem a ver com a ação em si mesma, um prazer relacionado com enfiar as mãos naquela massa, um prazer que vem de dentro.

O prazer é o 1º efeito colateral da expressão dos talentos e potencialidades e o 2º efeito é um crescendo da energia, pois os talentos e potencialidades vêm com a energia do inconsciente. Neste caso, a ordem dos fatores não altera o produto.

 

Então, nossa Missão de Vida é simplesmente fazer aquilo que nos dá prazer.

Mas entendamos, não é o prazer que vem de fora. Não é o desfrutar das coisas boas que tem a vida, um pôr de sol, o canto dos passarinhos, um abraço ou um prazer – ilustrado no Tarot Terapêutico pelo Nove de Copas, que também tem sua graça – mas não é para isso que estamos aqui. E muito menos pelo pseudoprazer das compensações: Eu não faço o que eu gosto, mas me compenso com poder, comida, bebida, drogas, televisão, compras, etc., que corrompem o corpo, a alma e o bolso (ilustrado pelo 7 de Copas). É o prazer classe A, aquele que ninguém pode tirar de você, o prazer que vem de dentro, o Seis de Copas.

E quando você opta por uma atividade que dá prazer, isto é, uma atividade para a qual você tem talentos específicos, os resultados de seu trabalho vão ter qualidade. Você não vai só ganhar dinheiro (pois a sociedade, mesmo que hipocritamente cultua o esforço, só paga pela qualidade), mas vai irradiar esse prazer no mundo encarando os relacionamentos amorosos, familiares ou amistosos como um doador e não como um vampiro. Em palavras de Osho:

“Simplesmente faça o que dá prazer, prazer para você mesmo e para seu ambiente. Simplesmente faça algo que traga uma canção e crie um ritmo de celebração ao redor.”